28 junho 2008

Ouvir os Outros

Segundo Ralph G. Nichols e Leonard A. Stevens "A eficácia da palavra falada não depende tanto do modo como as pessoas falam, mas principalmente de como elas escutam". Podemos afirmar, sem medo de errar, que a maioria dos seres humanos não sabe ouvir corretamente. Entre tais desvios da audição encontra-se a falta de tolerância para com as necessidades de expressão do interlocutor. Quando lhe fechamos os ouvidos, além de sermos injustos, não lhe concedemos o respeito que merece como ser humano.

Fomos educados para a leitura e não para a audição. Se tomarmos qualquer unidade escolar – do primário ao doutorado –, verificaremos que a educação está centrada na leitura. Esquecemo-nos de que ¾ da nossa vida de relação se processa através dos ouvidos. A palavra nos vem por intermédio do rádio, da televisão, da conferência, da aula. Se todos os empregados de uma empresa fossem bons ouvintes, não haveria necessidade de tantos papéis circulando em forma de memorando.

Qual o principal entrave à audição? De acordo com alguns estudiosos do assunto, a grande dificuldade está em ajustar a velocidade do pensamento com a velocidade das palavras articuladas. A velocidade média com que as pessoas falam é aproximadamente 125 palavras por minuto. Pergunta-se: enquanto estamos ouvindo, o que estão fazendo as bilhões de células do nosso cérebro? Observe que o tédio surge justamente quando temos de ouvir algo e não sabemos o que fazer da audição, ou quando não sabemos adaptar o fluxo de informações com o fluxo do pensamento.

Como ouvir melhor? Há alguma regra? A principal delas é ajustar o pensamento às palavras recebidas. Ao falarmos, transformamos o pensamento em palavras; ao ouvirmos, fazemos o contrário, ou seja, transformamos as palavras em pensamento lógico. Em virtude do nosso interesse e dos nossos filtros emocionais, a quantidade de informações armazenadas em nosso cérebro acaba sendo irrisória. Isto porque só admitimos a entrada daquilo que afirma nossas próprias convicções. O que nos contraria é eliminado logo de entrada.

Quais são os ganhos de sermos bons ouvintes? Primeiramente, haverá maior eficácia na comunicação, pois todos os interessados ficam concentrados no tema. Em segundo lugar, aproveitaremos melhor o tempo, pois não faremos crítica de imediato, esperando o término da exposição para tal mister. Quando nos exercitamos em ouvir bem, o nosso pensamento antecipa as palavras que o interlocutor irá proferir. Além do mais, estando com a mente aberta podemos, de vez em quando, fazer um resumo mental do que o orador disse e com isso nos mantermos focalizados no objeto da discussão.

Esforcemo-nos por ouvir coisas que nos contrariam. Esta atitude mental amplia sobremaneira a nossa capacidade de tratarmos racionalmente os problemas que nos visitam. Tornamo-nos mais flexíveis e cônscios de que os outros também pensam e têm as suas razões.

Fonte de Consulta

HARVARD BUSINESS REVIEW. Comunicação nas Empresas. Tradução por Marylene Pinto Maciel. Rio de Janeiro: Campus, 2001 (Harvard Business Review)

 


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